O que significa depressão, causas, sintomas e tratamento da depressão, identificando problemas associados, e o modo de a prevenir.


Tratamento farmacológico da depressão

Para o tratamento farmacológico dos quadros depressivos é preciso, primeiramente, um diagnóstico do tipo da depressão. Nos quadros depressivos cíclicos, quando há alternância com a mania, o tratamento inclui sais de lítio ou outros medicamentos. Casos com depressão severa havendo risco de suicídio, podem ser tratados com eletroconvulsoterapia, aplicada sob anestesia geral, que é muito eficaz nestes casos (Louzã-Neto, Betarello, 1994).
O tratamento farmacológico dos quadros depressivos geralmente se faz com o uso de antidepressivos (Elhwuegi, 2004). As ações neuroquímicas dos antidepressivos, bem como seus efeitos benéficos sobre a plasticidade neural, comprometida, pela depressão, já estão demonstrados (Carlson, 2002; Duman, 2002; Elhwuegi, 2004). A decisão sobre qual antidepressivo usar deverá ser fundamentada em uma série de fatores, onde a história clínica e psiquiátrica do indivíduo deve ser colhida através de uma boa anamnese (Assunção et al, 1998).
Além da escolha do antidepressivo ser feita em função do perfil terapêutico, Assunção et al (1998) chamam a atenção de que os seus efeitos colaterais também devem ser considerados. Eles podem ter uma reação sedativa mais intensa ou uma ação mais desinibidora, podendo ser indicado para depressões agitadas ou inibidas. Os efeitos colaterais dos antidepressivos vêm, principalmente, de sua ação anticolinérgica: boca seca, alterações do ritmo cardíaco, sedação, sonolência. Por isso, é necessário que, antes do início do tratamento, o paciente faça exames físicos detalhados e exames subsidiários.
Os mesmos autores recomendam que os antidepressivos devam ser introduzidos de modo gradativo, iniciando com doses baixas, aumentando de acordo com a reação do paciente. É importante lembrar que os antidepressivos apresentam uma latência para início da ação terapêutica, que é de dias a semanas. Após a melhora do quadro depressivo, a medicação precisa ser mantida por alguns meses, para evitar uma recaída da doença.
Segundo Scalco (1995) os antidepressivos tricíclicos foram, há 30 anos, a base da terapia farmacológica da depressão, sendo bem estabelecida sua eficácia em episódios depressivos em pacientes de todas as idades. Postula-se que o efeito antidepressivo dos tricíclicos resulte de sua capacidade de bloquear a recaptação, tanto de norepinefrina (NE) como de serotonina (5-HT) pelos terminais pré-sinápticos (Carlson, 2002). Os tricíclicos também bloqueiam os receptores colinérgicos muscarínicos, adrenoceptores alfa1 e alfa2, e receptores histaminérgicos H1 e H2, além de inibirem a ATPase de Na+/K+, o que resulta em efeito estabilizador de membrana.
Os primeiros antidepressivos clinicamente eficazes a serem descobertos foram os inibidores da enzima MAO (Stahl, 1998). Nos entanto, os IMAOs dificilmente são utilizados como drogas de primeira escolha no tratamento dos quadros depressivos, isto devido ao risco de interação com um grande número de medicamentos e até mesmo alimentos (Assunção et al, 1998; Cordás, Sassi-Junior 1998).
Antidepressivos de segunda geração são denominados como bloqueadores seletivos da recaptação de serotonina pelos terminais présinápticos (Fuller apud Scalco, 1995; Carlson, 2002; Elhwuegi, 2004).
O uso do lítio tem por objetivo alongar os intervalos inter-crises, além de abortar ou minimizar as crises de depressão endógena e os episódios de mania (Carlson, 2002). Normalmente, é empregado como tratamento profilático concomitantemente ou logo após utilização de antidepressivos (Ramos, 1984). Acredita-se que o lítio estabiliza os receptores de neurotransmissores, especialmente de serotonina (Carlson, 2002).
Conforme afirma Silva (1994), a carbamazepina tem sido habitualmente recomendada para crises convulsivas tônicoclônicas generalizadas, crises parciais simples e complexas. Esta substância tem sido usada em pacientes depressivos bipolares, particularmente aqueles refratários ao lítio (Carlson, 2002).
Assim como em relação à carbamazepina, Stahl (1998) sugere que o ácido valpróico apresenta eficácia no transtorno maníaco-depressivo de maneira geral e nos pacientes refratários ao lítio.
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