O que significa depressão, causas, sintomas e tratamento da depressão, identificando problemas associados, e o modo de a prevenir.


Mostrando postagens com marcador depressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador depressão. Mostrar todas as postagens

Sintomas emocionais da depressão

Os sintomas mais comuns da depressão podem tornar o trabalho e vida diária difícil. A depressão pode distorcer a sua visão do mundo, fazendo você sentir-se sozinho.
Você não está sozinho. Depressão maior afeta cerca de 14 milhões de adultos americanos, ou cerca de 6,7% da população maior de 18 anos, num determinado ano. 
Alguns dos sintomas da depressão incluem:
  • Sentir-se triste, vazio, sem esperança, ou entorpecido. Estes sentimentos acompanham-no na maior parte do dia, todos os dias.
  • Perda de interesse em coisas de que você já desfrutou. Você pode não gostar mais de hobbies que você costumava implementar. 
  • Você pode não gostar de estar perto de amigos. Você pode perder o interesse em sexo.
  • Pode apresentar Irritabilidade ou ansiedade. Você pode ser mal-humorado e achar que é difícil relaxar.
  • Pode ter dificuldade em tomar decisões. A depressão pode dificultar um pensamento claro e dificultar a concentração. Fazer uma simples escolha pode parecer esmagador.
  • Pode sentir-se culpado ou inútil. Estes sentimentos são muitas vezes exagerados ou inadequados para a situação. Você pode sentir-se culpado por coisas que não são culpa sua, ou sobre as quais você não pode ter controle. Ou você pode sentir-se intensamente culpado por erros menores.
  • Ter pensamentos de morte e suicídio. Os tipos de pensamentos variam. Algumas pessoas acham que se estivessem mortos, o mundo seria melhor sem eles. Outros fazem planos explícitos e acabam por se machucar.
A boa notícia é que a depressão responde a uma variedade de tratamentos. Você e seu médico podem colaborar no sentido de conseguir implementar o tratamento que se ajusta melhor ao seu caso em concreto.

Sintomas da depressão

Os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal como dores e enjoos. Contudo para se fazer o diagnóstico é necessário um grupo de sintomas centrais:
  • Perda de energia ou interesse
  • Humor deprimido
  • Dificuldade de concentração
  • Alterações do apetite e do sono
  • Lentificação das atividades físicas e mentais
  • Sentimento de pesar ou fracasso

Os sintomas corporais mais comuns são sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas. Períodos de melhoria e piora são comuns, o que cria a falsa impressão de que se está melhorando sozinho quando durante alguns dias o paciente sente-se bem. Geralmente tudo se passa gradualmente, não necessariamente com todos os sintomas simultâneos, aliás, é difícil ver todos os sintomas juntos.
Até que se faça o diagnóstico praticamente todas as pessoas possuem explicações para o que está acontecendo com elas, julgando sempre ser um problema passageiro.
Existem também sintomas emocionais, sintomas fisicos e sintomas comportamentais associados à depressão.

O que é uma depressão

Tristeza ou retrações no humor são reações normais ao longo da vida, tal como alguns reveses e decepções. Muitas pessoas usam a palavra "depressão" para explicar estes tipo de sentimentos, mas a depressão é muito mais do que apenas tristeza.
Algumas pessoas descrevem a depressão como "vivendo num buraco negro" ou descrevam um sentimento de desgraça iminente. No entanto, algumas pessoas deprimidas não se sentem totalmente tristes, mas podem sentir-se sem vida, vazias e apáticas, e os homens, em particular, podem até sentir-se irritados, agressivos e inquietos.

Quaisquer que sejam os sintomas, a depressão é diferente da tristeza normal na medida em que ficam afetados no dia-a-dia da sua vida, com sentimentos e comportamentos que interferem com a sua capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e divertisão. Os sentimentos de desamparo, desesperança e inutilidade são intensas e implacáveis, sem que exista nenhum alívio.


Causas da depressão

A depressão não é uma doença simples com uma causa conhecida. Algumas pessoas são mais suscetíveis a episódios depressivos, enquanto outras não. É importante discutir os sintomas com o seu médico. Existem várias causas possíveis de depressão.


Causa Genética

A depressão pode ser uma condição herdada. Você pode ter uma maior probabilidade de sofrer um transtorno depressivo em algum momento de sua vida, se você tem um membro da família com depressão. O gene exato envolvido neste é desconhecido.


Causa Bioquímica

Algumas pessoas sofrem mudanças perceptíveis em seus cérebros com a depressão. Mesmo que esta potencial causa não seja compreendido, ela sugere que a depressão começa na alteração do funcionamento do cérebro. Da mesma forma, alguns psiquiatras olham para a química do cérebro como possivel causa de depressão.
Neurotransmissores no cérebro, especificamente serotonina, dopamina ou norepinefrina, afectam sentimentos de felicidade e prazer e podem ficar fora de equilíbrio em pessoas com depressão. Antidepressivos devem equilibrar esses neurotransmissores, principalmente serotonina. Porque estes neurotransmissores deixam de funcionar de modo equilíbrado conhecer exatamente o papel que desempenham em estados depressivos não é totalmente compreendido.


Causa Hormonal

Alterações na produção ou funcionamento da hormona também pode levar ao aparecimento de estados depressivos. Quaisquer mudanças em estados hormonais, incluindo a menopausa, o parto, problemas de tireóide, ou outros distúrbios, podem causar depressão.
Com depressão pós-parto, as mães desenvolvem sintomas de depressão após o nascimento de seu filho. Embora seja perfeitamente normal sentir-se mais emocional por causa dos hormónios alterarem-se, depressão pós-parto é uma condição séria.


Causa Sazonal

Conforme as horas de luz do dia ficam mais curtos no inverno, muitas pessoas desenvolvem sentimentos de letargia, cansaço e perda de interesse em tarefas diárias. Chamado de transtorno afetivo sazonal, esta condição geralmente desaparece uma vez que os dias ficam mais longos. Seu médico pode prescrever medicação para ajudar a tratar esta condição.


Causa Situacional

Qualquer trauma, grande mudança de vida, ou doença podem desencadear um caso de depressão. Perder um ente querido, ser demitido, ter problemas financeiros, ou passar por uma séria mudança pode ter um grande impacto sobre as pessoas.
Transtorno de estresse pós-traumático é uma forma de depressão que ocorre depois de uma grave situação na vida, e muitas vezes é diagnosticada em soldados que retornam da guerra. Esta condição também pode ocorrer como resultado de:
- trauma de infância;
- mudança de vida  que parece ser assustadora;
- ser vitima de abusos ou agressões;
- um acidente de carro ou outro acidente grave;
- ser diagnosticado com uma condição com risco de vida.


Identificação da depressão

Para afirmarmos que o paciente está deprimido temos que afirmar que ele sente-se  triste a maior parte do dia quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse pelas atividades que  apreciava, não consegue ficar parado e pelo contrário movimenta-se mais lentamente que o habitual. Passa a ter sentimentos inapropriados de desesperança desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou pelo problema dos outros, sentindo-se um peso morto na família. Com isso, apesar de ser uma doença  potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio. Esse quadro deve durar pelo menos duas semanas para que possamos dizer que o paciente está deprimido.

O médico deve avaliar os sintomas de depressão

Muitos pacientes apresentam-se nos cuidados primários de saúde com queixas vagas, incluindo insónia, incapacidade de lidar com situações estressantes, e preocupações sobre o facto de pensar que está deprimido. O médico deve avaliar se o paciente está enfrentando esses sintomas devido a um evento traumático da sua vida ou se o evento de vida foi agravado devido a uma condição de saúde mental pré-existente. Muitas vezes, sintomas somáticos, tais como dificuldade em dormir podem mascarar a depressão subjacente.

Os pacientes de culturas não-ocidentais podem sentir mais o estigma de um diagnóstico de depressão do que pessoas de culturas ocidentais, sendo especialmente importante para o prestador de cuidados primários, reconhecer os sintomas que podem ser uma manifestação de depressão. Um diagnóstico preciso é essencial para otimizar o tratamento e gestão de uma possivel depressão. É imperativo que o processo de identificação, diagnóstico e tratamento da depressão ocorram com a consideração das influências culturais, sociais e ambientais que afetam o paciente.


Depressão

O termo depressão, hoje, significa uma patologia de humor, que de forma direta necessita ser identificada e tratada, e que não está relacionada ao caráter do indivíduo nem com a própria vontade do mesmo (Cordás & Sassi-Junior, 1998).
Sonenreich et al (1995) afirmam que na psiquiatria, o termo depressão é usado para designar entidades nosológicas (psicose depressiva, depressão unipolar, transtorno depressivo maior, depressão pós-esquizofrênica), transtornos de humor ou sintomas (nos alcoólicos, esquizoafetivos, demenciados, parkinsonianos).
No contexto clínico, o termo depressão não se refere somente a um humor deprimido, mas sim a um complexo sindrômico caracterizado por alterações de humor, de psicomotricidade e por uma variedade de distúrbios somáticos e neurovegetativos (Assumpção-Junior, 1998).
De uma maneira geral, a depressão pode ser definida como um processo que se caracteriza por lentificação dos processos psíquicos, humor depressivo e/ou irritável (associado à ansiedade e à angústia), redução de energia (desânimo, cansaço fácil), incapacidade parcial ou total de sentir alegria e/ou prazer (anedonia), desinteresse, lentificação, apatia ou agitação psicomotora, dificuldade de concentração e pensamentos de cunho negativo, com perda da capacidade de planejar o futuro e alteração do juízo de realidade. A capacidade de crítica do estado mórbido pode ou não estar preservada. A gravidade e freqüência dos sintomas variam muito de um deprimido a outro, podendo ser intermitentes ou predominar lentidão física e mental com inibição e ansiedade, ou ainda intensa agitação psicomotora ou estupor depressivo, com alucinações, idéias deliróides e/ou obnubilação da consciência, no caso da depressão psicótica (Mayer-Cross apud Corrêa, 1995; Goodwin, Jamison apud Corrêa, 1995; Assunção et al, 1998).
Dentro desse conjunto de características, as tendências suicidas têm posição de destaque, estando presentes numa fração considerável (15% a 30%) dos indivíduos depressivos (Carlson, 2002).

A depressão é um transtorno mental comum que leva as pessoas a experimentar o humor deprimido, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa ou baixa auto-estima, distúrbios de sono ou apetite, baixa energia, e falta de concentração.

A depressão é diferente de um sentimento de se sentir em baixo ou triste. A infelicidade é algo que todas as pessoas podem sentir num determinado momento, geralmente devido a uma causa particular. Uma pessoa que sofre de depressão vai experimentar emoções intensas de ansiedade, desespero, desamparo e negatividade, e os sentimentos permanecem de modo duradouro.
A depressão pode ocorrer a qualquer pessoa. Muitas pessoas bem-sucedidas e famosas que parecem ter tudo a seu favor, travam uma dura batalha com este problema. A depressão também afeta pessoas de todas as idades.
Metade das pessoas que sofrem de depressão só vai experimentar a depressão por uma vez, mas para a outra metade vai ter episódios sucessivos de depressão. O período de tempo que é necessário para recuperar duma depressão dura cerca de seis meses a um ano ou mais.

Conviver com a depressão torna-se difícil para aqueles que sofrem com isso e para os seus familiares, amigos e colegas. Pode ser difícil identificar alguém ao nosso lado que esteja com depressão.


Sintomas mais comuns de depressão

Os sintomas de depressão mais comuns são:
  • Humor deprimido associado a um forte sentimento de tristeza, desesperança em relação ao futuro, falta de ânimo e sensação de "vazio";
  • Perda de interesse com falta de desejo em realizar actividades anteriormente consideradas agradáveis observando-se um isolamento social. Poderá, igualmente, verificar-se uma diminuição do interesse sexual;
  • Alterações no apetite com perda ou ganho significativo do peso;
  • Distúrbios do sono com eventuais manifestações de insónias e alterações do padrão de sono;
  • Retardo ou agitação psicomotora com lentidão ao falar (diminuição significativa do volume da voz ou da variedade de assuntos) ou agitação psicomotora excessiva;
  • Fadiga e perda energia, revelando cansaço (sem esforço físico associado) em realizar tarefas comuns e rotineiras;
  • Sentimento de inutilidade ou culpa com baixa de auto-estima e auto-culpabilização excessiva;
  • Dificuldades de concentração na tomada de decisões simples ou concluir tarefas usuais;
  • Pensamentos de morte ou suicidas, associados geralmente a sensações de inutilidade ou falta de esperança;
Apesar da diversidade de sintomas, é generalizado que perturbam significativamente o rendimento no trabalho, a vida familiar e o simples existir do doente que sofre intensamente. Em alguns casos, geralmente graves, os sintomas podem surgir sem relação aparente com acontecimentos traumáticos da vida sob a forma de crises que perduram por vários meses. Muitas vezes, as crises repetem-se ao longo da vida. Noutros casos a intensidade dos sintomas é menor e os doentes vão conseguindo trabalhar apesar de permanecem com a sensação de fadiga, tristeza, desinteresse e tensão, que se arrasta durante anos, com um grande desgaste.

Depressão sazonal ou transtorno afetivo sazonal

Quem nunca sentiu uma certa melancolia ao olhar a chuva cair e o dia escurecer ao final da tarde? Nesses dias, é bastante comum a sensação de fadiga e desânimo. Porém, em certos casos esses sintomas tornam-se tão graves que dificultam a realização de tarefas simples do cotidiano. Quando se chega a esse ponto, é diagnosticada a Doença Sazonal Afetiva, também conhecida como depressão sazonal.
Segundo o fisiologista John Fontenele Araújo, coordenador do laboratório de Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), isso não surge por acaso.
As mudanças climáticas influenciam realmente o nosso humor e a explicação é biológica.
Segundo ele, o cérebro possui um "relógio", que determina o ritmo interno de cada pessoa e emite sinais para diversas áreas cerebrais que controlam o sono, temperatura, liberação de hormônios e outros.
O relógio é "ajustado" pela variação de claro-escuro, dos dias e das noites. No entanto, durante o inverno, há uma mudança na duração do dia, o que acarreta menos horas de luz e mais tempo no escuro, desajustando nossa regulação interna. A falta de luminosidade leva, então, a um estado de introspeção. O humor fica diminuído, há dificuldade de concentração, isolamento social e cansaço. Nessa época do ano também aumenta a vontade de comer, principalmente doces, e de dormir.
Esses sintomas são comuns e todos nós sentimos essas alterações nessa época do ano. Porém, em alguns indivíduos predispostos, principalmente os idosos e aqueles que já tiveram depressão, os sintomas tornam-se mais graves e levam à Doença Sazonal Afetiva, bastante parecida com a depressão clássica. A diferença básica entre o Transtorno Afetivo Sazonal e a depressão maior é que esta última não precisa de uma época do ano específica para se manifestar e não desaparece com as mudanças de estação.
Após estas considerações acerca da depressão você pode estar pensando: “Eh, estou com depressão!” Muita calma, pois o fato de estar com um ou mais desses sintomas, necessariamente não quer dizer que esteja com depressão.
Em caso de dúvidas, não hesite em procurar orientação de um profissional da área da saúde.



Tratamento de depressão em locais com recursos limitados

Ao longo da última década, uma série de ensaios clínicos têm demonstrado a eficácia do tratamento para a depressão, através de uma variedade de configurações de recursos. 
• Uganda: Um estudo realizado no Uganda rural, por exemplo, mostrou que o grupo de psicoterapia interpessoal reduziu substancialmente os sintomas e prevalência de depressão entre os 341 homens e mulheres que preencheram os critérios para depressão maior ou sub-sindrômica (Bolton et al, 2003).
• Chile: Um estudo foi realizado com 240 mulheres que sofrem de depressão maior, para examinar a eficácia de uma intervenção multi-componente, que incluiu a intervenção psico-educativa em grupo, estruturada e sistemática de acompanhamento e tratamento medicamentoso para aquelas que apresentam depressão grave. O estudo constatou que havia uma diferença substancial em favor do programa de cuidados de colaboração, em comparação com o tratamento padrão na atenção primária. Um teste de depressão administrado por 6 meses de acompanhamento mostrou que 70% do grupo de cuidados recuperou, em comparação com 30% do grupo de cuidados habituais.
• Índia: Uma experiência foi conduzida para testar a eficácia de uma operação liderada por conselheiros de saúde, em ambientes de atenção primária para melhorar os resultados associados ao tratamento de pessoas com depressão e transtornos de ansiedade. A intervenção consistiu na gestão de casos e intervenções psicossociais lideradas por um conselheiro de saúde treinado, com a supervisão de um especialista em saúde mental, e medicação de um médico de cuidados primários. O estudo descobriu que os pacientes do grupo de intervenção foram mais propensos a recuperar em 6 meses do que os pacientes do grupo de controle e, portanto, que uma intervenção de um conselheiro treinado pode levar a uma melhora na recuperação da depressão (Patel et al, 2010 ).

Apesar da conhecida eficácia de tratamento para a depressão, a maioria das pessoas com necessidade de tratamento não o recebe. Onde existem dados disponíveis, este é globalmente menor a 50%, mas corresponde a menos de 30% na maioria das regiões e ainda menos de 10% em alguns países.
Barreiras ao atendimento eficaz incluem a falta de recursos, a falta de provedores treinados, e o estigma social associado com transtornos mentais.

Como gerir a depressão

A depressão é um contributo significativo para a carga global de doenças e afeta pessoas de todas as comunidades em todo o mundo. Hoje, a depressão estima-se que afete 350 milhões de pessoas. A Pesquisa Mundial da Saúde Mental realizada em 17 países constatou que, em média, cerca de 1 em cada 20 pessoas relataram ter um episódio de depressão no ano anterior. Os transtornos depressivos muitas vezes começam em tenra idade; limitando o funcionamento das pessoas, e muitas vezes são recorrentes. Por estas razões, a depressão é a principal causa de incapacidade no mundo, em termos de total de anos perdidos devido a deficiência. A demanda para reduzir a depressão e outros problemas de saúde mental está em ascensão no mundo. A recente Assembleia Mundial da Saúde pediu à Organização Mundial de Saúde e aos seus Estados Membros para tomar medidas nesta direção (WHO, 2012).

A depressão é uma doença que pode ser diagnosticada de forma confiável e tratada na atenção médica primária. Conforme descrito no Manual de Intervenção da OMS, as opções de tratamento preferíveis consistem no apoio psicossocial básico combinado com medicamentos ou psicoterapia antidepressiva, como a terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia interpessoal ou tratamento de resolução de problemas. Os medicamentos antidepressivos e breves formas estruturadas de psicoterapia são eficazes.
Os antidepressivos podem ser uma forma muito eficaz de tratamento para a depressão moderada a grave, mas não são a primeira linha de tratamento para os casos de depressão leve ou sub-limiar. Como complemento aos cuidados de especialistas ou cuidados de saúde primários, a auto-ajuda é uma abordagem importante para ajudar as pessoas com depressão.
As abordagens inovadoras envolvendo livros de auto-ajuda ou de programas de auto-ajuda com base na Internet têm sido demonstrados como sendo uma ajuda para reduzir ou tratar a depressão, em diversos estudos em países ocidentais.

Conhecendo a depressão

A depressão é um transtorno mental comum que se apresenta com humor deprimido, perda de interesse ou prazer, diminuição de energia, sentimentos de culpa ou baixa auto-estima, distúrbios do sono ou do apetite, e falta de concentração. Além disso, a depressão muitas vezes surge com sintomas de ansiedade. Estes problemas podem tornar-se crônicos ou recorrentes e levar a prejuízos substanciais na capacidade de um indivíduo para cuidar de suas responsabilidades diárias. Na pior das hipóteses, a depressão pode levar ao suicídio. Quase 1 milhão de vidas são perdidas anualmente em todo o mundo devido ao suicídio, o que se traduz em 3.000 mortes por suicídio todos os dias. Por cada pessoa que completa um suicídio, 20 ou mais podem tentar acabar com sua vida .
Existem diversas variações na depressão que uma pessoa pode sofrer, sendo que a distinção mais geral, é a depressão em pessoas que têm ou não têm um histórico de episódios maníacos:
• Episódio depressivo envolve sintomas tais como humor deprimido, perda de interesse e prazer, e aumento da fatigabilidade. Dependendo do número e da gravidade dos sintomas, um episódio depressivo pode ser classificado como leve, moderado ou grave. Um indivíduo com um episódio depressivo leve terá alguma dificuldade em continuar com o trabalho comum e atividades sociais, mas provavelmente não deixará de funcionar devidamente.
Durante um episódio depressivo grave, por outro lado, é muito improvável que o doente possa continuar a manter uma boa atitude social, de trabalho, ou em atividades domésticas, ou então mantém uma atitude muito limitada.
• Transtorno afetivo bipolar normalmente consiste em ambos os episódios, maníacos e depressivos, separados por períodos de humor normal. Episódios maníacos envolvem humor elevado e aumento da energia, resultando em excesso de atividade, pressão da fala e diminuição da necessidade de sono.
Enquanto que a depressão é a principal causa de incapacidade para ambos os sexos, masculino e feminino, o peso da depressão é 50% maior em mulheres do que homens (OMS, 2008). Na verdade, a depressão é a principal causa da carga de doença para as mulheres (OMS, 2008).
Pesquisas em países em desenvolvimento sugerem que a depressão materna pode ser um fator de risco para problemas de crescimento em crianças pequenas (Rahman et al, 2008).
Este fator de risco pode significar que a saúde mental materna em países de baixa condição socioeconómica podem ter uma influência significativa sobre o crescimento durante a infância, com os efeitos da depressão a afetar não só esta geração, mas também a próxima.

Como prevenir uma depressão

De acordo com a OMS, 8 a 20% das pessoas estão em risco de poder desenvolver uma depressão durante a sua vida, pelo que, o melhor é que cada pessoa individualmente possa ter práticas de prevenção da depressão de modo a conseguir a felicidade e o bem-estar!
Assim, devemos procurar manter uma rede alargada de amigos e familiares e promover actividades de que gostamos. Ir ao cinema,, ir ao ginásio, passear, estar com amigos, ou mesmo brincar com os filhos! Devemos procurar no decorrer do nosso quotidiano, formas de atingir o bem-estar através da criação de momentos que sejam gratificantes. Porque não valorizar e apreciar todos os momentos da vida?
O envolvimento em actividades que façam sentido na nossa vida, também nos pode ajudar de forma relevante a evitar uma depressão, seja através da família, do voluntariado, ou através de um projecto que já pense implementar à muito tempo. Este tipo de envolvimento que não implica obrigatoriamente momentos de alegria, pode manter a nossa mente desperta e de boa saúde.
Sentir que estamos envolvidos em algum projeto, deve fazer sentido no nosso percurso de vida e pode mesmo ajudar-nos a manter uma sensação de qualidade de vida ou de vida preenchida.
Um dos principais  princípios de  proteção do nosso bem-estar é alimentar constantemente o optimismo. Devemos procurar recursos e soluções para as nossas vidas, em vez de criticar e fazer comparação com os outros, deixando de ser pessimista! Ao procurarmos alternativas, acabamos por conseguir gerir as nossas expectativas (embora o ser humano seja muito exigente e nunca esteja satisfeito), já que quanto maior for a capacidade para apreciar os pequenos momentos e viver a vida, menor serão os riscos de cair numa depressão.

Como ajudar um idoso com depressão

É muito importante para o idoso compreender a doença e desenvolver formas de lidar com ela, mas a ajuda da família e dos amigos é muito importante na recuperação porque há muito preconceito em relação aos transtornos mentais e a pessoa em depressão sente-se fracassada, como se isso se tratasse de uma falha moral, de uma fraqueza de caráter ou de uma forma de chamar atenção.
A família e os amigos devem evitar exigências de que a pessoa faça aquilo que, no momento, não é possível para ela. É importante estimular, mas não exigir. Devem ser evitadas frases como “você não tem nada”, “se quiser, é capaz de trabalhar”.
Quem nunca teve depressão pode ter dificuldade de entender o profundo sofrimento de uma pessoa que se encontre nesse estado.

Como saber se estou com depressão

Depressão é diferente de tristeza. Você pode estar triste ou até muito triste, estar em estado depressivo, mas necessariamente isso não significa que esteja com uma depressão clinicamente reconhecida, neste caso temos ai o conhecido “baixo astral”.
As principais características que fazem a tristeza ou estado depressivo passageiro se tornarem uma depressão são:
  • PERSISTÊNCIA- quando não há retrocesso nestes estados emocionais citados;
  • INCAPACIDADE – quando os estados emocionais referidos incapacitarão para atividades normais;
  • DESPROPORÇÃO – ou seja, um nível exacerbado do sentimento em relação a fatos que podem ser considerados comuns ou de pequena importância.
SINTOMAS DA DEPRESSÃO:
  • Isolamento do convívio familiar;
  • Desistência pelas atividades normais;
  • Perda da auto-estima;
  • Concentração diminuída;
  • Inquietação, insegurança e hostilidade;
  • Irritabilidade e agressividade;
  • Perda de interesse pelo trabalho;
  • Apetite alterado;
  • Diminuição da libido;
  • Cansaço;
  • Insônia e/ou excesso de sono;
  • Idéia de suicídio;
  • Ansiedade ou sensação de vazio;

Depressão no idoso

É inegável que a população mundial esta envelhecendo. O aumento do número de pessoas com mais de 60 anos não está mais restrito a países desenvolvidos, como os europeus. Hoje, países da África e América Latina - dentre eles o Brasil - vivenciam o envelhecimento mundial. Essa mudança no quadro populacional se deu em razão da melhoria nutricional, avanços da medicina e redução na taxa de mortalidade, dentre outros fatores.
Porém muitas são as consequências desse fenômeno. Dentre elas, algumas dizem respeito à saúde mental (equilíbrio psíquico que resulta da interação da pessoa com a realidade dos indivíduos) da terceira idade, como a incidência da depressão de inicio tardio.
Entre as principais doenças mentais que atingem o idoso está à depressão, Trata-se de uma doença freqüente em todas as fases da vida, mas que vem se acentuando entre indivíduos senis. Conforme a Organização Mundial da Saúde, estima-se que cerca de 15% de idosos apresentem alguns sintomas depressivos e cerca de 2% deles tenham depressão grave. Esses números são ainda maiores entre idosos internados em asilos ou hospitais.
Ao compararmos a depressão no idoso com a que acomete outras faixas etárias não é possível delimitar diferenças nítidas, no entanto sabe-se que o idoso passa por circunstâncias específicas em razão do avanço da idade e das consequências que ele acarreta.

O QUE É DEPRESSÃO?
De vez em quando, todos nós ficamos “pra baixo” ou “na pior”, como se diz. Mas, os que sofrem de depressão têm muito mais que “tristeza” - e essa situação pode durar por muito mais tempo.
Depressão é o nome que se dá a certos estados de sofrimento psíquico, que podem causar desordens no comportamento, na afetividade, no humor e na relação com o meio ambiente.
A depressão pode se manifestar de diferentes formas e, por isso, são inúmeros os sintomas que se envolvem e se associam para determinar o seu diagnóstico.
Na idade adulta e nos idosos ela se caracteriza principalmente por um estado de humor deprimido, melancólico e geralmente vem acompanhada de ansiedade e tensão muscular. A solidão, a inatividade, as perdas de entes queridos estão entre as principais causas de depressão na Terceira Idade.

Porque e como surge a depressão

A depressão é multifactorial, ou seja, não depende de um único factor. Sabe-se hoje que 20 a 45% das depressões mais ligeiras tem uma base de predisposição genética, e que maior será a proporção para depressões de maior gravidade, contudo, naturalmente que o facto de haver uma predisposição, tal não é determinante: mesmo perante uma situação de maior exigência emocional, podemos procurar desenvolver estratégias de prevenção (e de tratamento, no caso de estarmos deprimidos). Um factor relativamente consensual entre diversos investigadores, prende-se com a forma como encaramos a vida. Aaron Beck, uma referência no estudo da depressão, considera que de algum modo nos tornamos mais vulneráveis à depressão quando, perante acontecimentos negativos, tendemos a ter atitudes disfuncionais, geralmente relacionadas com uma noção errónea de que a nossa felicidade e auto-estima dependem de fazermos tudo perfeito ou da aprovação dos outros. Seligman, um dos fundadores da Psicologia Positiva, fala de um estilo explicativo pessimista de tudo o que nos acontece na vida, tornando-nos mais negativos, críticos, desesperançados, e vulneráveis à depressão. Estas ideias estão de acordo com os estudos de David Burns que deixam claro que as emoções resultam da forma como se olha a realidade, dos nossos pensamentos, já que, dado o funcionamento do nosso cérebro, precisamos de compreender os eventos, dar-lhes um significado, antes de os sentir.

Como combater a depressão

De modo a poder combater a depressão, deixamos alguns conselhos

Envolva-se com as pessoas:
  • Telefone a um amigo, ou a alguém com quem queira estabelecer laços mais fortes e converse com ele um bocadinho, ou então combine um café;
  • Telefone ou escreva a um familiar ou velho amigo com quem não esteja muitas vezes;
  • Vá para sítios onde as pessoas existam pessoas, como jogos desportivos, actividades de grupos - teatro, coro, associações, juventudes políticas, religiosas, vá à piscina ou até à mercearia;
  •  Proponha-se para voluntariado;
  • Encontre alguém a quem possa fazer um favor, como por exemplo um vizinho idoso que precise de compras ou um amigo que lhe tenha pedido uns apontamentos;
  • Peça um favor a alguém: é tão bom receber favores como fazê-los aos outros!
  • Expresse a sua zanga, mas de uma forma não-ameaçadora para os outros. Eles vão escutá-lo melhor, e provavelmente vai sentir-se mais calmo com isso.

Mime-se:
  • Oiça o seu CD preferido ou relê-ia o seu livro favorito;
  • Coma a sua comida favorita;
  • Vá fazer uma massagem ou sauna;
  • Vá ver um filme;
  • Compre alguma coisa que deseje;
  • Dé um passeio fora do seu ambiente diário.

Cuide do seu corpo:
  • Tente comer mais fruta e vegetais e menos farináceos;
  • Reduza o álcool e cannabis. São substâncias com efeito depressor a curto prazo, aumentando a intensidade dos seus sintomas;
  • Faça exercício físico, de preferência diário. Sabemos que é a última coisa que lhe apetece fazer, mas é das mais eficazes;
  • Durma e descanse mas não exagere. 6 a 8 horas por dia é suficiente;
  • Evite dormir durante o dia. Quanto mais o seu padrão de sono fica desregulado, mais deprimido se sente;
  • Não fique acordado na cama mais de 20 minutos. Se vê que não está a conseguir adormecer saia do quarto e faça qualquer coisa que o relaxe: veja televisão, lê-ia (um livro que já tenha lido), medite… mesmo que não tenha sono, está a descansar. E na manhã seguinte acorde à hora habitual, para facilitar o trabalho de dormir bem na próxima noite;
  • É provável que não lhe apeteça ter relações sexuais. Não precisa de “fazer fretes”. Explique isso ao seu parceiro, e faça-lhe ver que continua interessado nele e em partilhar outras coisas com ele até se sentir melhor. Normalmente os outros aceitam melhor os nossos comportamentos quando percebem que não são rejeitantes mas fruto de dificuldades nossas no presente.

Dê uma vista de olhos ao lado positivo das coisas:
  • Faça uma lista das coisas boas que lhe acontecem na sua vida;
  • Faça uma lista das suas qualidades;
  • Faça a si próprio afirmações racionais, encorajadoras (que cortem com o padrão habitual de irracionalidades e desencorajamentos), por ex: “hoje estou em baixo, mas sei, de experiência própria que vai passar e que me hei-de sentir bem novamente”“todos os seres humanos têm sentimentos como estes; não tenho de fazer com que uma coisa temporária arruíne uma série de outras coisas que já consegui ou que quero vir a atingir: vou esperar”;
  • Tente identificar exactamente qual é o problema e pense em ideias para lidar (lidar é diferente de solucionar!) com ele;
  • Estruture o seu dia. Determine pequenos objectivos diários e mantenha-os;
  • Planeie o divertimento e prazer de cada dia. De preferência actividades em que tenha de estar assim mesmo, activo! (em que gaste alguma energia).

Acalme-se:
  • Utilize as suas técnicas de relaxamento e aprecie as sensações que vão ocorrendo;
  • Fantasie sobre alguns acontecimentos do passado ou que espera no futuro;
  • Aja como se se sentisse bem (não-deprimido), como ouvir sorri, coloque energia na forma como anda, ponha uma expressão interessada e alerta, fale alegremente com as pessoas que encontra, assobie, enfim, finga. É muito frequente que, ao agirmos como se nos sentíssemos bem, começamos, de facto, a sentirmo-nos bem;
  • Permita-se sentir o que sente. Se precisar de chorar, chore. Se está zangado, encontre formas seguras de expressar a zanga.

Se depois de experimentar uma série de alternativas de solução continuar a sentir-se deprimido, procure ajuda junto de um profissional. É sempre mais difícil combater a depressão sozinho, sobretudo se, ao estarmos deprimidos, já nos estamos a sentir sós e sem “soluções”. As sessões com um técnico de saúde mental vão certamente ajudá-lo a lidar com a sua depressão.

Um último comentário:
A ajuda existe e sob várias formas, com muito sucesso. Tudo o que é preciso é dar o primeiro passo nesse sentido uma vez que cada um de nós, adultos, somos os únicos responsáveis pela nossa saúde e bem-estar. Ler sobre depressão não nos faz sentir melhor. É preciso agir.
Se um caminho não está a funcionar, tente mais um pouco. Não é de um momento para o outro que conseguimos mudar padrões de funcionamento, depois de meses ou anos habituados a pensar, sentir e agir de forma deprimida. Se depois de tentar mais uma vez esse caminho, continuar sem sentir resultados, procure uma nova alternativa de solução.

Como ajudar alguém que está com uma depressão

Uma vez que as pessoas deprimidas estão de certa forma afastadas, letárgicas, com preocupações que guardam só para elas, e possivelmente suicidas, um amigo interessado pode dar um contributo valioso. Falar com sinceridade e clareza com o nosso amigo deprimido sobre o facto de estarmos preocupados com ele e com o seu bem estar frequentemente ajuda-lo-á a confiar-nos os seus problemas.
Seguem-se algumas ideias sobre formas de ajudar:
  • Esclarece o teu amigo que estás preocupado com ele e que queres mesmo ajuda-lo.
  • Não digas que sabes como ele se está a sentir. Não sabes de facto e isso pode fazer com que se sinta incompreendido (não é esse o nosso objectivo).
  • Não digas que sentes o mesmo.
  • Não tentes “anima-lo”.
  • Tenta não te zangar. Mune-te de paciência e mostra-te apoiante.
  • Não critiques nem o envergonhes, porque isso já ele está a fazer sozinho (tais pensamentos são sintomas da depressão) e se funcionasse não estaria deprimido.
  • Encoraja a pessoa a procurar ajuda se os sintomas persistirem e interferirem com o funcionamento dela no dia-a-dia e/ou se a pessoa falar de suicídio como uma possibilidade de solução. Se sentires que ele resiste e que há probabilidade de tentativa de suicídio (podes perguntar ao teu amigo directamente se ele está a pensar fazê-lo. Ao contrário do que se pensa as pessoas costumam ser honestas e revelar as suas intenções a este respeito) procura tu ajuda junto de um psicoterapeuta por forma a aprender a melhor lidar com a situação.

Depressão infantil

Dados empíricos apontam um aumento preocupante na incidência de transtornos emocionais em crianças e adolescentes nas últimas décadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), realizou um estudo onde demonstra que 20% das crianças e adolescentes apresentam sintomas da doença, e no Brasil as estatísticas sugerem entre 8 % e 12%.
Segundo a OMS em 2.020 a depressão passará ser a principal causa de mortes no mundo, perdendo apenas para as doenças coronárias. Estima-se que a Depressão Infantil afete uma em cada 20 crianças abaixo dos 10 anos de idade.
O Transtorno Depressivo Infantil é um transtorno do humor capaz de comprometer o desenvolvimento da criança ou do adolescente e interferir no seu processo de maturidade psicológico e social.
Na criança e adolescente, muitas vezes os sintomas de depressão se confundem com transtornos de comportamento ou de caráter, podendo ser alvo de críticas de pais, que não percebem estarem diante de um quadro de depressão. Muitas vezes a depressão é confundida com Hiperatividade, Deficit de Atenção , irritabilidade ou agressividade, rebeldia , problemas de aprendizado etc. Os sintomas da depressão em crianças e adolescentes são diferentes dos sintomas dos adultos.
“As crianças mais novas, devido à falta de habilidade para uma comunicação que demonstre seu verdadeiro estado emocional, também manifestam a depressão atípica, notadamente como Hiperatividade (Ballone,2.005).
Pais e Educadores devem estar atentos quando alguma criança apresentar as seguintes características:

  • Queda no rendimento escolar, perda de atenção e concentração;
  • Fobia Escolar;
  • Baixa autoestima, depreciando-se;
  • Estado de tristeza e choro com facilidade;
  • Tendência ao isolamento social e à solidão;
  • Queixas generalizadas de rejeição;
  • Baixa energia, inclusive para atividades físicas e de lazer;
  • Falta de disposição para iniciar tarefas, tendendo a retardá-las;
  • Queixas de cansaço injustificado;
  • Maior irritabilidade e agressividade;
  • Baixa tolerância para frustração;
  • Condutas antissociais e destrutivas;
  • Agitação excessiva;
  • Significante perda ou ganho de peso;
  • Enurese e Encoprese noturna;
  • Dificuldade de se afastar da mãe;
  • Sentimento de culpa;
  • Queixa constante de dores na cabeça, barriga e nas pernas;
  • Insônia ou sono excessivo;
  • Tiques;
  • Fala de morte própria ou de familiares;
  • Fala de fugir de casa;
  • Quadros de medo inexplicado e de terror noturno.

Não é obrigatório que a criança complete todos os itens da lista para se fazer um diagnóstico.
São inúmeros os fatores que podem desencadear a depressão. Nas crianças e adolescentes, a depressão costuma manifestar-se a partir de uma situação traumática, como separação dos pais, atritos familiares, morte de uma pessoa querida, solidão, chegada de um novo irmãozinho, rejeição por parte dos amigos, cobrança exagerada em relação ao desempenho escolar, são alguns deles.”Estudos apontam que a violência urbana, o excesso de atividades na agenda diária e a falta de espaço para o lazer, também são fatores que podem desencadear a doença”.
Uma pesquisa, realizada na Austrália revelou que crianças materialistas têm maior probabilidade de terem depressão devido a equiparação da felicidade ao dinheiro e da beleza à fama.
“Crianças que não sabem lidar com limites, que têm baixa tolerância à frustração, comportamento manipulativo, alta impulsividade, dificuldade em aceitar a realidade poderão entrar em depressão toda vez que houver uma ameaça de destruição desse mundo ilusório em que foram criados”, comenta Olga Tessari.
Os pais devem redobrar a atenção quando a criança estiver atravessando situações difíceis e, ao primeiro sinal de depressão, devem acolher a criança ou adolescente e encaminhá-lo a um profissional o mais rápido possível. Na maioria das vezes, o apoio da família e a psicoterapia são suficientes.
Os pais e educadores devem estimular a criança para que brinquem ou pratiquem atividades com outras crianças, estimulando assim o seu humor e ajudando no seu desenvolvimento psicossocial e criar o hábito de diálogo com os filhos, fortalecendo os laços afetivos e criando um espaço para que ele fale sobre seus sentimentos.

Depressão e actividade fisica

A depressão como um distúrbio da área afetiva ou do humor se caracteriza pela perda do interesse ou prazer e traz impacto funcional a indivíduos de qualquer faixa etária e requer abordagem multiprofissional adequada a cada caso em particular.
Tem-se evidenciado que pessoas fisicamente ativas apresentam menor incidência de muitos estados patológicos, entre eles os sintomas depressivos.
A atividade física contribui para a estimulação que o sistema nervoso central recebe para a produção de serotonina e endorfina, substâncias que inibem e melhoram os processos depressivos, por isso tem merecido atenção de estudiosos e pesquisadores. Fonseca et al. (2000) relatam que com atividade física de moderada a baixa já se pode observar uma melhora do quadro depressivo.
Considerando-se como atividade física todo movimento do corpo em conseqüência da contração muscular, resultando em gasto energético acima dos níveis de repouso, a fisioterapia lança mão da  inesioterapia como recurso terapêutico auxiliando no tratamento de indivíduos depressivos.
O programa cinesioterapêutico é realizado após uma avaliação físico-funcional, portanto é desenvolvido baseado nas condições apresentadas particularmente pelo sujeito. Além do benefício direto para redução do quadro depressivo, o indivíduo pode visualizar, por meio de dados da reavaliação fisioterapêutica, ganhos quantitativos (como a diminuição de encurtamentos musculares) e qualitativos (maior facilidade para desenvolver atividades de sua vida diária, diminuição de dores) contribuindo para melhora de sua auto-estima e seu bem-estar, comumente encontrados em portadores de sintomas depressivos, motivando-os para continuar a desenvolver a atividade física.

Depressão na clinica psicológica

A depressão é um quadro muito freqüente na clínica psicológica. Classicamente, a depressão é definida como a redução de comportamentos positivamente reforçáveis e um aumento de comportamentos de fuga/esquiva. Isto significa dizer que o indivíduo deprimido se relaciona menos com outras pessoas, tem menos interações agradáveis/prazerosas com as pessoas que o rodeiam e também com suas atividades. E, quando se fala que aumentam comportamentos de fuga/esquiva, significa dizer que o indivíduo depressivo passa a evitar situações em que venha a se sentir exposto ou que pensa que será inadequado ou repreendido pelos outros. Outros comportamentos de fuga/esquiva que aumentam se referem a chorar muito, permanecer na cama durante o dia, estar mais irritado, apresentar alterações importantes de sono e apetite, ou mesmo queixas fisiológicas (p.ex, dores). Assim, uma pessoa que apresenta um quadro de depressão – que pode ser em diferentes níveis de gravidade – pode estar se relacionando cada vez menos com pessoas, permanecendo mais em casa, sentindo-se muito triste e desamparada, muito irritada – especialmente quando alguém muito próximo faz tentativas de “empurrá-la” de volta à vida normal.
Quando uma pessoa depressiva procura a clínica psicológica, essa procura pode ser por vontade própria ou por um pedido da família ou de outro profissional da saúde. Quanto mais grave for a situação, maior terá que ser o envolvimento da rede de apoio do paciente (família, amigos, outros profissionais que o atendam) para que ele possa voltar ao seu funcionamento anterior gradativamente. O tratamento psicológico, dentro da perspectiva comportamental, envolve o aumento gradual de oportunidades em que o indivíduo possa se perceber como competente em conduzir sua vida novamente, como também a revisão/reorganização do que a pessoa pensa e sente sobre si mesma. Assim, é impossível voltar a sorrir sentindo-se um inútil, ou seja, o trabalho é integrado: tratar o indivíduo como um todo para que ele retome o controle de sua vida e o prazer de ser quem ele é.